quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Enfrentando.



Estava bebendo sua garrafa se água enquanto o nervosismo lhe atormentava. Estava insegura demais. Sentou-se de frente para um espelho e se perguntou "quem eu sou afinal?". Não sabia se era tudo de sua cabeça ou se era real. Não sabia se queria fazer isso ou se precisava.

Sabia que estava quase na hora. prendeu o cabelo num penteado de rabo de cavalo e tirou o roupão, revelando seu corpo magro porém visivelmente forte vestido com um short e um top. Largou os chinelos em qualquer canto e bebeu mais água. Colocou o protetor para dentes e as luvas. Ouviu seu nome ser chamado, havia chegado a hora.

Abriu a porta e subiu as escadas. Caminhou tensa até o ringue enquanto o público gritava seu nome com os braços para cima, mãos fechadas em punhos e um fôlego impressionante.

E lá estava sua oponente mais perigosa. Todos os seus medos e confusões, todas as suas confissões e contradições, unidos na forma de uma oponente poderosa. Sentiu um arrepio e uma tensão maior.

Apertaram as mãos e o juiz deu o sinal para o início da luta. A princípio, apenas se encaravam enquanto davam passos laterais pelo ringue, uma de frente para a outra. O público gritava mais, esperando que alguma delas desse o primeiro golpe. E foi o que aconteceu. A oponente se aproximou com velocidade e a golpeou com um soco no abdôme.

A dor havia sido insuportável, mas ela devia continuar. Se recuperou rápido e acertou sua oponente com um gancho de direita. Aproveitou e também golpeou-lhe no abdôme com sua mão esquerda.

Flashs começaram a aparecer em sua mente. Lembrou-se de um romance, um ambiente em especial que a marcou. Mas de que forma a marcou? E quando pôde abrir os olhos novamente, sua oponente estava perto demais, acertando sua face com um soco.

Os flashs apareceram novamente. Viu seus desabafos, seus olhares para o nada, seus olhares para alguém. Não sabia se esse alguém era realmente especial ou se ela só desejava que fosse. Ela não sabia se sentia de verdade ou se desejava sentir para ter chances de ser feliz. E novamente abriu os olhos com sua oponente muito perto, derrubando-a no chão com outro golpe no abdôme.

Ficou caída no chão e só então se lembrou da pergunta que fizera antes de subir aquelas escadas. E ela não precisava de golpes para respondê-la. Não mais. E pôde se dar conta de que os flashs eram os piores golpes de sua oponente. Ainda não saberia responder algumas perguntas, mas sabia que não poderia deixar aqueles sentimentos tomarem conta.

Ouviu o juiz fazer a contagem enquanto procurava forças para levantar. Sua oponente era realmente muito forte. 10... 9... 8... 7... 6... E conseguiu enfim levantar. O juiz parou a contagem e a luta continuou.

Golpes vão, golpes vêm, e ela foi derrubada várias vezes. Mas continuou se levantando e voltando a lutar. E ambas já estavam completamente cansadas depois de um bom tempo lutando.

E ela aprendeu a lidar com os flashes. Aprendeu a responder cada pergunta durante a luta. Sua oponente ficou mais fraca. Ela aproveitou a chance a acertou com vários socos, derrubando-a. O juiz fez a contagem e a oponente não conseguiu se levantar. Enfim. Livre.

Então a oponente sumiu, o juiz sumiu, o público sumiu, o ringue sumiu, o estádio sumiu. Tudo que conseguia ver eram algumas cores de misturando formando uma paisagem aos poucos. Fechou os olhos. Quando abriu novamente, estava em seu quarto parada de frente para um saco de areia e com luvas nas mãos. Ao olhar para sua cintura viu um cinturão de metal anunciando: ela havia vencido tudo.

2 Responses:

Rafa Cullen disse...

Uaw. Que lindo *-* Amaay o texto 8D
Beeijos =*

Luciana disse...

^^ Sempre temos que enfrentar os nossos medos, enfrentar o passado, enfrentar as coisas, senão elas continuam a nos perseguir
;*