sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Confusão.


Era uma vez uma garota que caminhava em sua melodia. Alegre, desconfiada, um tanto insana e brincalhona. Saltitava alegre por estar tudo certo. Suas emoções em seu devidos lugares, sentimentos e razões idem. Brincava com o vento, com as nuvens, com as cifras, com as palavras, com a água, com a terra e com o fogo. Sabia que era arriscado brincar com o fogo mas gostava mesmo assim.

Continuou sua tarde passeando, cantando, dançando, tirando as nuvens da frente do sol quando sentia frio e fazendo chover quando sentia muito calor. Ela gostava de ter tudo do seu jeito, o que a tornava um pouco mimada. Deixou o céu num tom de verde azulado.

Dentou-se num campo e tirou um cochilo. De mais ou menos duas horas. Ao abrir os olhos novamente, algo lhe atingiu. Não foi nada fisicamente, mas algo realmente a atingira. Teve a sensação de não saber o que fazer. Sua mente estava um ciclone.

O céu passou de verde azulado para vermelho alaranjado. As notas voavam ao seu redor formando uma melodia estranha, completamente diferente de qualquer uma que ela já havia imaginado. A brisa leve sumiu, as nuvens se revoltaram, o sol desapareceu e ela se viu dentro de um círculo de fogo. A terra não poderia ajudá-la, nem a água e nem o vento. Ela não conseguia mais mexer com nada disso, estava completamente fora de controle.

A terra também se revoltou, atormentando a garota com terremotos. A água não fez nada, não queria apagar o fogo. E o vento apenas o espalhou, deixando a garota ainda mais tensa e assustada. E ela não conseguia entender mais nada.

Seus sentimentos e emoções brigavam com a razão e os principios, e isso estava deixando a menina simplesmente louca. Tentou gritar "Pára!" várias vezes, mas nada adiantou.

Então desistiu, voltou a se deitar na grama, mesmo com os terremotos, com as batalhas dentro de si, com o fogo perto demais, com as ideias paradoxais. Ela não tinha mais nada a fazer a não ser tentar acalmar sua cabeça. Mas como?

Tentou dormir novamente, mas sua própria mente não a permitiu fazer isso. E de repente, o circulo de fogo se transformou num círculo de casais. Ela não via mais o céu, via um teto com um bonito mosaico e uma bonita iluminação. As nuvens sumiram, o fogo sumiu, a água sumiu, a terra sumiu.

Agora ela estava deitada sobre um piso gelado, cercada de casais mascarados que dançavam uma valsa enquanto sorriam e conversavam. Levantou-se e tentou falar com alguns deles, mas ninguém a ouvia. Tentou gritar, mas não deu certo. Tentava tocar neles, mas também não conseguia. E sua mente continuava confusa. Aliás, tudo ali dentro daquele salão era confuso demais. Teria ela entrado numa outra versão da própria mente?

Queria sair dali. Tentou as portas, mas estavam todas trancadas. Tentou as janelas, mas também estavam trancadas. Pensou até em quebrar uma delas. Deu socos, mas tudo que conseguiu foi ferir sua mão. E a janela não quebrara de jeito algum.

E até hoje ela tenta sair daquele salão da confusão. E nunca se sabe quando irá conseguir. Vez ou outra alguém a escuta e dança enquanto conversa com ela. Mas ela sabe que só sairá daquele salão quando conseguir pôr sua mente organizada de novo.

--------------------------------------------------------
Voltei depois de meio século sem postar!
Isso aí foi inspirando num sonho, foi a coisa mais louca com a qual ja sonhei. Oo
Espero que tenham gostado e eu espero ter sonhos inspiradores assim mais vezes, hehe.
Beijoo

2 Responses:

Rafa Cullen disse...

Meldels, dizer que seus sonhos são toscos é elogio! HSUAHSUAHU Amaay! Beeijos =*

Luciana disse...

Nossa.O_O" Tadinha dela... Não posso dizer nada, meus sonhos são todos malucos.
;*